Arruda, acusado de manter esquema de propinas, vai receber restituição do Leão
POR ANA D’ANGELO
Brasília - Aos olhos do Leão do Imposto de Renda, tão valente com trabalhadores assalariados de classe média, não há incompatibilidade entre a renda e o patrimônio milionário do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, que cresceu 1.000% em dois anos. O Fisco analisou a declaração de Imposto de Renda entregue por Arruda este ano e concluiu que ele ainda tem direito a receber imposto de volta.
Arruda — que colocou a polícia na rua nesta quarta-feira para combater manifestantes, o que resultou em violenta batalha campal no Distrito Federal —, ao contrário de milhares de contribuintes que ficaram retidos na malha fina, muitos por erro no preenchimento da declaração, foi incluído no último lote de restituição do IR do ano e receberá o dinheiro no próximo dia 15.
O governador do DEM, flagrado recebendo dinheiro de suposta corrupção, tem, conforme reportagem do jornal Estado de S. Paulo, patrimônio visível que se multiplicou espetacularmente entre o início de 2008 e 2009: passou de R$ 682 mil declarados para mais de R$ 7 milhões. Alguns bens estão em nome de filhos. O governador, porém, negou tal avanço e disse que o aumento foi de ‘apenas’ 46% em um ano.
O presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente, aquele que foi gravado colocando notas de R$ 100 nas meias e rezou em agradecimento por propina, teve direito à restituição de IR e embolsará o dinheiro extra às vésperas do Natal.
Outros acusados de integrar a quadrilha do DF também passaram pelo crivo do Leão e ganharão seu ‘panetone’ fiscal na próxima semana, como os deputados distritais Rogério Ulysses (PSB) e Pedro do Ovo (PRP).
O assessor de imprensa, Omézio Pontes, também flagrado recebendo dinheiro, e o deputado Benito Tavares, outro beneficiário do esquema, tiveram mais sorte e já receberam a restituição no mês passado.
A queda da arrecadação tributária entre janeiro e agosto deste ano levou o governo federal a segurar restituições de IR dos contribuintes que recolheram imposto acima do que deviam em 2008. A repercussão negativa da medida fez o presidente Lula mandar a Receita afrouxar as garras do Leão. Ainda assim, milhões ainda não receberam, sob o argumento de que estão em malha fina.
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